Força de princípios <br>e da alternativa
A forte participação nas iniciativas em Santiago do Cacém, Vendas Novas e Montemor-o-Novo, realizadas no sábado com a presença de Jerónimo de Sousa, aumentam a confiança no crescimento da CDU.
O PCP e o PEV não abdicam de princípios em troca de lugares
O Secretário-geral do PCP, acompanhado por candidatos e activistas dos distritos em causa, participou em três iniciativas – almoço em Santiago do Cacém, sessão pública em Vendas Novas e jantar em Montemor-o-Novo – nas quais ficou patente o alargamento da CDU e a perspectiva de um reforço eleitoral a 4 de Outubro: o almoço e o jantar, particularmente, foram grandes acções, com centenas de participantes.
Nas intervenções que proferiu, Jerónimo de Sousa voltou a sublinhar a ideia de que os partidos que integram a CDU estão em condições de assumir «todas as responsabilidades, incluindo governativas», garantindo que tal acontecerá quando o povo lhes der a força necessária e nunca devido a «favores» do PS ou de qualquer outro partido. Para o PCP, reafirmou, a participação num governo terá sempre como condição a concretização de uma política patriótica e de esquerda e não a continuação da política de direita. Assim, mais do que perguntar ao PCP e à CDU por que razão não se aliam ao PS, a questão devia ser colocada a este partido, que sempre (mesmo quando teve maioria absoluta) optou por servir os interesses dos grandes grupos económicos e das potências que dominam a União Europeia.
O PS, acrescentou o Secretário-geral comunista, não diz uma palavra sobre a renegociação da dívida e, sobre a questão decisiva do Tratado Orçamental, defende não a sua revogação mas uma «leitura inteligente» – cujo real significado permanece uma incógnita, pois este é um documento claro e conciso, que aponta medidas muito concretas e sanções para os países que não cumpram as regras impostas. Também no que respeita aos direitos dos trabalhadores, matéria definidora da fronteira entre «esquerda» e «direita», o PS diz pouco e o que diz é no sentido de alargar e generalizar a precariedade, acusou.
Se PSD e CDS enganaram os seus eleitores, ao prometerem uma coisa na campanha e fazerem outra no Governo, o PS abandonou quem nele votou, ao ter desertado da luta contra a política da coligação PSD/CDS durante os últimos quatro anos, acrescentou Jerónimo de Sousa. Já o voto na CDU é respeitado, pois os eleitos da coligação PCP-PEV cumprem os compromissos assumidos.
Aposta no desenvolvimento
Para além de Jerónimo de Sousa intervieram nas iniciativas de sábado os primeiros candidatos da CDU pelos respectivos círculos eleitorais: Francisco Lopes no almoço de Santiago do Cacém e João Oliveira em Vendas Novas e Montemor-o-Novo.
O presidente do grupo parlamentar do PCP e primeiro candidato da CDU pelo distrito de Évora lembrou, nas duas acções em que participou, as 50 escolas encerradas pelos executivos do PS e do PSD-CDS e a luta das populações em defesa dos serviços de saúde. No caso de Vendas Novas, foi mesmo possível impedir o encerramento do Centro de Saúde pelo governo do PS, valorizou.
Dirigindo-se a todos os que, justamente, se sentem traídos e enganados por PS, PSD e CDS, o deputado comunista apelou a que não se abstenham, antes canalizem a sua indignação para o voto na CDU, que é «verdadeiramente útil» para defender o emprego, os serviços públicos e o desenvolvimento regional. O PCP e o PEV continuarão a estar ao lado dos trabalhadores e do povo, afirmou. A questão decisiva é saber «com que força» o farão.
Em Santiago do Cacém, Francisco Lopes considerou que o abandono da construção do IP8, que deveria ligar Sines a Beja, é um retrato perfeito da política de direita no Litoral Alentejano. O «drama das urgências» do Hospital regional é, também, revelador. Chamando a atenção para as propostas da coligação para o distrito de Setúbal (que inclui todo o Litoral Alentejano à excepção do concelho de Odemira), Francisco Lopes apontou o investimento público em infra-estruturas, a valorização do trabalho e dos trabalhadores e a defesa dos serviços públicos e do poder local democrático como questões decisivas para a região.
Na mesma ocasião, Heloísa Apolónia, dirigente do PEV e candidata por Setúbal, apelou aos candidatos e activistas da CDU para que desenvolvam um intenso trabalho de esclarecimento e informação em torno do «grande projecto» da coligação. A dirigente ecologista lembrou que PS, PSD e CDS chumbaram uma iniciativa do PEV que travava uma eventual privatização da água.